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Painéis luminosos de publicidade: uma fonte de receita para condomínios

Edifícios grandes e históricos são os maiores alvos das agências de propaganda
e das empresas anunciantes

Um dos grandes problemas dos síndicos e administradoras num condomínio é equilibrar as receitas, quase sempre oriundas apenas da taxa de condomínio. As despesas são inúmeras, principal-mente, quando a edificação é antiga ou muito grande. Quando essas duas características, estão presentes, o problema se agrava ainda mais. Dois exemplos de edifícios que estão nestas condições são o Condomínio Edifício Planalto, localizado na rua Maria Paula, Bela Vista e o Conjunto Nacional, na avenida Paulista. O primeiro já existe há 50 anos e sua fachada, inclusive, é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (CONDEPHAT). Já o segundo, é considerado um dos símbolos da famosa avenida e da própria cidade. O Conjunto Nacional durante muitos anos abrigou o famoso restaurante Fasano e nomes famosos da música e do cinema internacional como Nat King Cole, Marlene Dietrich, David Niven, além de políticos a exemplo do ex-presidente norte-americano Dwight Eisenhover e o líder cubano Fidel Castro, que estiveram presentes na década de 60.
Quanto à população, há uma diferença marcante entre os dois condomínios. Enquanto no Planalto, um edifício quase que inteiramente residencial, moram aproximadamente 1200 pessoas e existem três lojas no andar térreo, no Nacional, acontece o inverso, pois num total de 450 condôminos, apenas 52 famílias residem no condomínio. As demais salas são usadas para fins comerciais. Outra característica do famoso edifício da Paulista é que, por estar localizado numa região considerada como centro financeiro e de serviços da cidade, onde existem diversas lojas, restaurantes, livrarias e cinemas na sua galeria, faz com que o fluxo de transeuntes é estimado em 20.000 pessoas/dia.
Por todas estas características apresentadas, o trabalho dos síndicos é enorme e as despesas quanto à manutenção dos condomínios, maior ainda. Uma das formas que a administradora de empresas Valdete Almeida de Moraes, responsável desde janeiro de 2.000 pela sindicância do Planalto, encontrou para angariar recursos para as muitas despesas do condomínio, foi contactar agências de publicidade, oferecendo o espaço do topo do edifício para instalação de um painel luminoso de publicidade. “Logo quando assumi o cargo de síndica, mandei cartas para diversas agências de propaganda e firmas que fabricam e instalam esses painéis e apareceram quatro empre-sas interessadas em alocar o terraço. Após abrirmos concorrência, optamos pela Publitas


Edifício Planalto focado do Viaduto do Chá

Comunicação Visual S/C Ltda. não só por terem oferecido um preço melhor, como também, por já terem feito o antigo painel, que estava desativado havia cinco anos”, explica.
A síndica Valdete ainda informa que, o estado de abandono do prédio era de tal proporção que se viu obrigada a fazer diversas obras e reformas, quando assumiu o cargo, o que acabou resultando em aumento das despesas extraordinárias. “Hoje, o valor da locação do luminoso, representa de cinco a dez por cento das nossas despesas, mas vale ressaltar que estamos fazendo manutenções corretivas e acabando essas manutenções. Creio que em dois ou três anos, as despesas serão menores e a verba do luminoso dará uma maior cobertura”.
Além do topo do edifício, a síndica também alugou o salão de festas do Planalto para eventos. “Nós aluga-mos o salão que fica no terraço para uma agência de publicidade, que irá gravar comerciais para televisão. Fora isso, estou recuperando-o por completo para tentarmos alugá-lo para um Buffet. Hoje, nós já o alugamos para festas de casamento, não somente dos moradores daqui, como também para pessoas de fora”.

O assessor da presidência da Publitas, Gilberto Pierre, informa que quando alguém do marketing de sua empresa localiza um edifício com uma boa visualização e entende que o prédio é perfeito para a instalação de um painel luminoso com fins de publicidade, contata o síndico e faz a proposta de locação do topo ou da parede lateral. “Os síndicos e proprietários de edifícios também nos ligam com freqüência, oferecendo o espaço do prédio para locação. Aí nós mandamos alguém até lá para ver se é viável a colocação do luminoso, tiramos fotos, checamos na Prefeitura para saber se é permitida a publicidade no local, oferecemos nossa proposta e se houver concordância das partes, fazemos um pré-contrato, até conseguirmos uma empresa que queira anunciar, assinamos um contrato com o condomínio que em geral dura de dois a três anos”.
“Nós tomamos sempre o cuidado de fazer o contrato com o edifício, um pouco mais longo, do que o contrato com o anunciante. Isso porque, às vezes, muda o síndico e se ele por algum motivo, resolver não querer mais alugar o espaço, nós temos a segurança de que, enquanto durar o contrato, nosso anunciante terá sua publicidade ali veiculada. Se acontecer o inverso, ao término do contrato do anunciante, se for pedida a retirada do painel, ele continuará no edifício, sem a publicidade, mas a locação sendo paga normalmente”. Pierre também esclarece que, dependendo da localização do edifício, se for um local que tenha uma excelente visualização e muito movi-mento, a Publitas adianta uma parcela da locação, enquanto durar o pré-contrato, isso como forma de garantia para que o síndico não contrate uma empresa concorrente. “Não é sempre que isso ocorre, mas já ocorreu. O valor da locação, varia de acordo com o local onde está o edifício e quanto ao seguro do painel, nós fazemos uma apólice de R$ 1 milhão e qualquer sinistro que eventualmente ocorra, o condomínio não arcará com nada”, enfatiza Pierre.
A gerente geral e síndica em exercício desde 1987 do Conjunto Nacional, Vilma Peramezza informa que o painel luminoso foi instalado há 35 anos e que desde 1975 a publicidade está sendo usada pelo Banco Itaú. “Trata-se de um anúncio de proporções únicas e que, ao ser instalado nos anos 60, era visto a partir de bairros e locais distantes. Entre esse anúncio e o Conjunto Nacional, passou a existir uma correlação que os identifica quase que reciprocamente.Ambos, atual-mente, são símbolos da cidade”.
A síndica do Conjunto Nacional ainda informa que o valor mensal do contrato de locação representa 15% do rateio de despesas ordinárias. “Os proprietários em assembléia destinaram usar a receita do período 90/2000 para recuperação do imóvel, incluindo reformas necessárias, infra-estrutura e embelezamento, fazendo sem ônus, a recuperação do edifício que estaria deteriorado por falta de investimentos anteriores. A partir de 2.000, parte dos valores foi distribuído entre os proprietários e parte continua tendo as mesmas destinações anteriores”, esclarece.
Pela sua localização privilegiada, o Conjunto Nacional recebe constantemente, novas propostas para instalações de painéis, porém a síndica esclarece que, quando assumiu o cargo, estabeleceu normas para a instalação desses luminosos nas fachadas, eliminando luminosos verticais, existentes anteriormente. “Mantemos o luminoso do Itaú por tradição, mas lutamos contra toda e qualquer poluição visual que possa decorrer de novas instalações”.
“A nova experiência em administração (de edifícios em condomínio) demonstra que receitas que eventualmente sejam creditadas para diminuir o rateio das despesas ordiná-rias, podem gerar efeitos negativos a longo prazo, pois os condôminos, desconhecendo as suas necessidades que se originam do

gerenciamento adequado para manter a integridade do patrimônio e a qualidade de vida que os habitantes e empregados do condomínio, criam uma expectativa de redução gradativa que, num determinado momento, transforma-se em déficit irrecuperável, com rateios extras desagradáveis. O investimento de eventuais rendas, na valorização do patrimônio, mantém seu preço de mercado sem ônus extras para os proprietários”, adverte Vilma Peramezza.

(Francisco de Souza)


A região do Paraíso é um local onde se concentra muita publicidade no topo dos prédios

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